A mulher e as sensações

Toda mulher experiencia um “excesso de normalidade” em algum momento da vida.

Sabe quando não ta bom nem ruim, ta “ok”?

O trabalho ta ok, a vida ta ok, o relacionamento ta ok…

E esse excesso de normalidade vai nos contaminando até que nos encontramos vivendo dentro de uma rotina, meio sem graça, sem que fosse nossa intenção. 

No entanto a mulher é um ser especial. Ela carrega dentro de si arquétipos que expressam suas múltiplas personalidades.

Mas durante a vida ela é encaminhada a preencher lacunas que a levam a pensar que deve ser só uma:

Idade:
Sexo:
Profissão:

Aos 27 ela ainda sente a liberdade de uma mulher de 23, ainda quer viver a despretensiosidade dos 15, e carrega o conhecimento de uma mulher de 40.

Ela quer experimentar beijar uma mulher, e ter relações com homens diferentes, de culturas diferentes, e sentir a experiencia de um relacionamento a 3, e viver transas incríveis.

Ela ainda busca aquele propósito que todo mundo fala, se aventura a fazer diversas formações, e se interessa pelos assuntos mais diversos. Quer ser empreendedora, yogui, cuidar de crianças carentes, e ter uma horta.

A mulher deseja sentir, experienciar, sentir prazer e se colocar em lugares desafiadores em todas as idades e situações. 

Mas ela vai encontrando essas caixinhas.
Ela se vê encaixotada.
Se vê mascarada.
Se encontra limitada pelas próprias ideias geradas pela psique. 

A benção matrilinear da intuição, a transmissão da confiança intuitiva das mulheres de sua linhagem em algum momento da historia, foi destruída. 
Com o desenvolvimento da ciência e das religiões, as tradições matrilineares que repassavam o conhecimento intuitivo, múltiplo e infinito da mulher, são transformados por complexos sociais de beleza e comportamento. 

A mulher começa a se colocar no papel da “boa filha”, “boa mãe”, “boa namorada”, “boa esposa”, e perde o contato com as suas outras facetas, e a sua natureza selvagem.
Aquilo que é diferente e bruxólico, se torna anormal, e por temer perder seu papel na sociedade, ela rejeita a si mesma.

Porque o único papel da mulher aceito é o da cuidadora.
E sair desse papel, é acessar um espaço do feminino sombrio e selvagem, que só a intuição e o prazer a podem permitir acessar. 

Dessa forma, quando a mulher experiencia na sua vida um “excesso de normalidade”, ela na verdade está negligenciando a sua intuição, sem nem mesmo perceber. 

É ai que algo acontece.
Que alguma força dentro ou fora dela, a coloca a restaurar essa conexão, e a experienciar a sua plenitude.
Um novo namorado, uma amiga meio “louca” que a convida para um retiro espiritual, um desejo próprio de conhecer mais seu corpo, ou de ouvir seu coração… 
A mulher decide quebrar sua personalidade normalizada. 

Assim, o complexo da mulher “normal e boazinha” começa a se desfazer
E ela começa a valorizar não só o intelecto, aparência ou a sua personalidade sensata, mas o trabalho interior de sua alma. 
Ela se aventura a explorar os lugares que antes pareciam perigosos na sua psique, e encara memórias e sentimentos guardados há tempos, há gerações.
A mulher se permite sentir aquilo que parecia ser o mais doloroso e impossível.

E é ai que entram as sensações na vida da mulher.

Porque para desfazer as caixinhas criadas e reconectar-se ao seu poder, ela precisa ascender novamente o fogo da sua vida. 
O fogo que até o momento era só uma brasa, deve ser atiçado novamente. E ela tem que se colocar disposta a deixa-lo arder – arder com a paixão, com as palavras, com as ideias, com o desejo.

É esse arder, essa paixão que cria o espaço propício para a manifestação das ideias significativas da mulher. 

E acessar conscientemente a raiva, o medo, a tristeza da vida que ela mesma criou e daqueles que viveram antes dela, amparada por outras mulheres que ja passaram por essa iniciação, é um dos principais recursos para que esse fogo se mantenha aceso. 
Porque é comum da mulher ascender o fogo uma vez, e esquecer de mantê-lo aceso.

Mas para ter um relacionamento com o feminino ancestral divino e selvagem, para manter o poder, o prazer, o fluxo da criação, ela tem que estar sempre vigiando esse fogo. Mexendo seu caldeirão de paixões, sensações, ideias e valores, para sempre nutrir essas partes suas. 

Dessa forma, a mulher descobre a força que necessita para não se intimidar diante do anormal, do grande, ou do estranho.
Ela identifica seus aspectos sombrios e suas fontes, expressa-os conscientemente, e assim torna-se mais forte, e mais sabia. 
Junto a outras mulheres, ela resgata as memórias das suas facetas múltiplas, dos seus desejos múltiplos, das suas capacidades múltiplas, e a é revelada as bençãos que ela precisa trazer a superfície.

Através da própria força, ela reforça a vida como um todo, sem atrapalhar o que também deve morrer. 
Ela sabe que há nutrição suficiente para que tudo comece de novo.
Porque seu fogo interno estará sempre amparando o processo de renovação. 

Esse texto foi inspirado no livro "As mulheres que correm com os lobos" de Clarissa Pinkola Estés. 

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