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ENCONTRE O QUE VOCÊ AMA E DEIXE ISSO TE MATAR

A morte é um trabalho em andamento. A melhor pergunta não é quando você vai morrer – é o que você está escolhendo como veículo para chegar lá?

Charles Bukowski

Esse artigo é uma tradução do texto de Mark Manson

“Todos nós vamos morrer, todos nós. Que circo! Só ter noção disso já deveria nos fazer amar uns aos outros, mas não. Nos sentimos aterrorizadas e arrasadas ​​por trivialidades; somos devoradas por nada.”

Sim, todos nós vamos morrer. Você, eu e todos os outros. Um dia, finalmente, esse momento fatídico chegará e nos levará embora.

Quando vamos morrer não é realmente uma pergunta interessante, pois uma vez que você está morto, não terá mais porque se preocupar com o que fez ou deixou de fazer.
Não, a questão interessante mesmo é: como morreremos? Será que de câncer? Parada cardíaca? Engasgando com um pretzel?

Eu? Espero que haja uma falha no pára-quedas. Ou talvez seja em um acidente de avião. Ok, ok, isso não é totalmente verdade… mas às vezes quando estou dentro um avião e estamos pousando… o clima está terrível… eu começo a sonhar acordado sobre como seria se acontecesse um acidente – as máscaras de oxigênio caindo, as mulheres gritando, os bebês chorando; talvez eu vá pro outro lado do corredor e segure a mão de um total estranho em um gesto dramático final, enquanto aguardamos o inevitável juntos. A terra varreria nossos corpos e juntos seríamos jogados na eternidade.

Felizmente, isso ainda não aconteceu. Mas é emocionante pensar nisso.

Quando pensamos em nossas próprias mortes, normalmente pensamos nos momentos finais. Na cama do hospital. Na família chorando. A sirene da ambulância tocando.
Não pensamos na longa série de escolhas e hábitos que nos levam a esses momentos finais.

Você poderia dizer que a morte é um trabalho em andamento ao longo de nossas vidas – cada respiração, cada mordida, cada noite acordada e semáforo vermelho ultrapassados, cada risada e grito e choro e soco dado, e cada sensação de solidão – cada um deles nos aproxima um passo do nosso dramático desfecho deste mundo.

Portanto, a melhor pergunta não é quando você vai morrer. É o que você está escolhendo como veículo para chegar lá? Se tudo o que você faz a cada dia a aproxima da morte de maneira única e sutil, então o que você está deixando te matar?

COM A PAIXÃO VEM A DOR

O título deste artigo é uma citação do autor e poeta Charles Bukowski. Todo esse artigo é como uma homenagem a ele.

Bukowski bebia desavergonhadamente, era mulherengo e dava “foda-se” pra tudo. Ele ficava bêbado no palco enquanto lia suas poesias e abusava verbalmente de sua platéia. Ele jogou muito dinheiro fora e tinha o hábito infeliz de se expor em público.

Mas por baixo do exterior nojento de Bukowski havia um homem profundo e introspectivo, com mais caráter do que a maioria. Bukowski passou a maior parte de sua vida sem dinheiro, embriagado e demitido de vários empregos. Eventualmente, ele acabou trabalhando em uma agência postal enviando cartas. Toda a sua vida ele escreveu de forma infrutífera, totalmente desconhecido e conhecido perdedor. Ele escreveu por quase 30 anos antes de finalmente conseguir seu primeiro contrato para publicar um livro. Era um negócio escasso naquela época. Ao aceitá-lo, ele escreveu: “Eu tenho duas opções: ficar nos correios e enlouquecer, ou viver a vida aqui de fora, brincar de escritor e passar fome. Eu decidi morrer de fome.”

Na minha opinião, a honestidade naquilo que escreveu – seus medos, fracassos, arrependimentos, autodestruição, disfunção emocional – são tesouros incomparáveis. Ele lhe dirá o melhor e o pior de si mesmo sem vacilar, sem desviar os olhos nem murmurar um “desculpe por isso” como uma reflexão tardia. Ele escreveu sobre vergonha e orgulho sem qualificação. Sua escrita foi equânime – um abraço silencioso do homem horrível e bonito que ele era.

E o que Bukowski entendeu – que a maioria das pessoas não entende – é que as melhores coisas da vida às vezes podem ser feias. A vida é uma bagunça, e estamos todos um pouco estragados à nossa maneira de achar que somos especiais demais. Ele nunca entendeu a obsessão dos baby boomers com paz, a felicidade e o idealismo que os acompanhava. Ele entendeu que você não tem um lado sem o outro. Você não consegue amar sem sentir dor. Você não acessa o verdadeiro significado e a profundidade sem sacrifício.

O conceito de propósito de vida explodiu e popularizou nas últimas décadas. Não queremos apenas ganhar dinheiro ou construir uma carreira segura. Queremos fazer algo importante. Queremos ser notados. Queremos ser admirados.

Propósito e significado é o novo luxo.

Mas, como qualquer outro luxo, idealizamos o significado. As pessoas acreditam que tudo o que você precisa fazer é encontrar A coisa – aquela coisa sangrenta! – que você deve “fazer” e, de repente, tudo se encaixará. E você fará isso até o ultimo dia da sua vida, e quando morrer, pra sempre se sentirá realizado, feliz e cavalgará em unicórnios e dançará sob o arco-íris, enquanto ganha um milhão de dólares de pijama.

E só precisamos dessa coisa! Se ao menos soubéssemos o que viemos aqui na terra para fazer, tudo se encaixaria!

E embora seja possível debater algumas idéias para ajudar a começar esse caminho, encontrar significado e propósito não acontece em um retiro de spa de cinco dias. É uma longa caminhada pela lama e pela merda, com granizo do tamanho de uma bola de golfe batendo no seu rosto. E você tem que amar. Você realmente tem que amar.

Como Bukowski disse: “O que mais importa é o quão bem você caminha através do fogo”.

Encontrar a paixão e o objetivo em sua vida é um processo de tentativa por incêndio. Você simplesmente não acorda um dia e fica feliz fazendo uma coisa para todo o sempre. Assim como a morte, esse é um constante trabalho em andamento. Você deve tentar algo, prestar atenção à sensação, ajustar e tentar novamente. Ninguém acertou na primeira tentativa, nem na décima, as vezes nem mesmo na décima centésima.

E então, quando você acertar, é provável que um dia mude. Porque você muda.

“Escrever é fácil. Tudo o que você precisa fazer é ficar olhando para uma folha de papel em branco até que gotas de sangue se formem na sua testa.”

Gene Fowler

E o que Bukowski entendeu melhor do que a maioria, foi que fazer o que você ama nem sempre é amar o que você faz. Há um sacrifício inerente nisso. Assim como escolher um companheiro, que não é escolher alguém que te faz feliz o tempo todo, mas escolher alguém com quem você quer estar, mesmo quando eles a estão irritando.

É algo que parece uma inevitabilidade, como se você não tivesse escolha, porque é simplesmente quem você é, com as suas disfunções e tudo mais. Esse é o seu veículo escolhido para a morte. E você está feliz em deixar isso te levar até lá. Mas você não tem ilusões de que não será uma viagem esburacada ou sem surpresas ao longo do caminho.

  • Seu estudo sobre terapia da fala pode levá-lo à dublagem, que pode se tornar uma carreira em desenhos animados para crianças e, em seguida, você pode decidir aos 60 anos que os desenhos infantis são corrompidos por interesses corporativos, e você passa o resto dos seus dias desenhando quadrinhos que você ama, mas que nunca publicará.
  • Seu interesse no condicionamento físico pode levá-lo a um interesse mais profundo na postura do corpo humano e sua forma, o que leva você a treinar as pessoas sobre linguagem corporal e subcomunicação. Isso te conduz a um negócio de consultoria, que depois de lidar com os problemas no nível da superfície há anos, você descobre que o corpo se molda para corresponder às emoções reprimidas. Então você toma sua grande pensão recebida pela consultoria, diz foda-se, e abre uma clínica de acupuntura e massagem onde você dedica os últimos de seus dias a promover a consciência mente-corpo.

Assim como poucos de nós experimentam amor à primeira vista, poucos experimentam significado e propósito à primeira experiência. Como um relacionamento, devemos construí-lo do zero, peça por peça, até que depois de anos de tijolo e suor, ele possa se sustentar sozinho.

E quando chegamos lá, como um avião em plena queda livre, deixamos que ele nos leve ao túmulo, de mãos dadas, cobertos sobre a terra em um rugido risonho de vento, fogo e amor.

“Estamos aqui para rir das probabilidades”, disse Bukowski, “e viver nossas vidas tão bem que a morte tremerá para nos levar”.

Quando a morte chegar, como ela vai te levar?

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